Tour Cultural – Duda Tawil, texto e fotos –
Museu de Portimão, no Algarve, Portugal
No sul da Portugal, região do Algarve, a cidade portuária de Portimão apresenta, até 3 de novembro vindouro, a exposição “Histórias que o Rio nos Traz”, no seu moderno Museu de Portimão, aberto em 2008. O título diz muito de importância histórica, prosperidade e desenvolvimento para a sociedade local, proporcionados pela instalação e comércio da indústria pesqueira. A maior parte do próprio acervo do museu remete a essa atividade. O rio Arade é uma dádiva, pois há milênios é uma via crucial entre o litoral e o interior algarvio. E Portimão cresceu em estreita ligação com o porto abrigado que o seu estuário proporciona.
Pois antes do turismo, era outra a indústria que predominava na região: a pesca e o universo das conservas fizeram de Portimão, com sua situação geográfica privilegiada, um dos principais centros conserveiros de todo Portugal, entre os séculos XIX e metade do século XX. O próprio museu está instalado numa célebre fábrica de conservas desativada, a La Rose, que tem parte de sua fachada preservada, porém hoje a funcionar no norte do país, em Matosinhos.
Portimão, de cerca de 45 mil habitantes, hoje, com seu centro histórico, seu animado calçadão à noite, passeios de barco nas falésias e sua badalada praia da Rocha, é uma cidade centenária, e está a festejar durante todo este ano a sua emancipação (1924-2024).
Integrada ao museu está a Casa Manuel Teixeira Gomes, político e escritor portimonense, ex-presidente de Portugal no início do século XX, e a emancipação para cidade se deu no seu governo.
Mais informações: www.museudeportimao.pt

“Jazz sur Seine” em Paris e região parisiense
Na sua 13a edição, uma das maiores manifestações culturais de outono da capital francesa e da sua região metropolitana, acontecerá de 11 a 26 de outubro vindouro: é o “Jazz sur Seine”. Serão cerca de 180 shows em 25 espaços, ditos “clubs”, anunciou numa coletiva Vincent Bessières, presidente da “Paris Jazz Club”, a associação que o organiza. O festival propõe também ações culturais como masterclasses, oficinas e musicoterapia.
Haverá passes de 40€ que darão acesso a três shows, mas em três espaços diferentes, objetivando uma maior expansão do festival, nos seus diversos locais de apresentação. Na noite do dia 16, os bares/clubes da Rua de Lombards, no bairro de Châtelet, bem no centro de Paris, vão propor 18 showcases, todos gratuitos, a exemplo do Sunside-Sunset, Baiser Salé e Duc des Lombards.
Toda a programação e mais informações: www.parisjazzclub.net

Expos na La Halle Saint-Pierre, em Montmartre
Situada bem ao lado da famosa colina de Montmartre, no 18° distrito de Paris, La Halle Saint-Pierre fez vernissagem de duas exposições paralelas, e complementares: “Gilbert Peyre, L´ÉlectroMécanoManiaque”, na presença do artista e que fica em cartaz até 31 de julho de 2025; e “Malcolm de Chazal”, composta de 160 pinturas deste poeta icônico das Ilhas Maurício, até 19 de janeiro do ano vindouro.
A exposição consagrada a Malcolm de Chazal (1902-1981) é a maior já vista na França e foi apresentada por Emmanuel Richon, conservador do Blue Penny Museum, em Porto Louis, capital das Ilhas Maurício, que se associou à La Halle Saint-Pierre para esta mostra já antológica. Todos os quadros remetem à sua ilha, para ele o centro do mundo, onde criou através da sua arte um universo mítico como um paraíso perdido ou ainda por vir. Procurava na pintura, à imagem da sua escrita, a simplicidade. Todas as obras são em guache, inundadas de cores e luz, todas elas sem título e não datadas, pinturas figurativas que por vezes se aproximam do surrealismo.
No andar superior está a exposição de Gilbert Peyre, francês nascido em 1947, “filho” da La Halle Saint-Pierre e considerado o seu artista emblemático, que esteve presente na vernissagem. A curadora da mostra é Martine Lusardy, diretora desse espaço cultural e museu. É um escultor multiartista, um poeta da recuperação de materiais esquecidos, ou deixados de lado. Ele concilia com singularidade a Arte Bruta com o espírito contemporâneo, numa atmosfera de festa, tanto visual quanto sonora, de máquinas extravagantes e poéticas, plenas da inventividade do seu instinto criativo. O artista vive e trabalha em Paris e continua a criar suas estranhas máquinas no seu ateliê de Aubervilliers.
Mais informações: www.hallesaintpierre.org

“Yuxi Nukukunai, O Encontro das Almas” no Espaço Krajcberg
Aconteceu ontem em Paris, no Espaço Frans Krajcberg – Centro de Arte Contemporânea Art & Nature, a vernissagem da exposição que seguirá até 20 de dezembro, proposta pela artista visual, militante Karajá, pesquisadora, professora e curadora da mostra, Kássia Borges Mytara, em diálogo com o coletivo de artistas do MAHKU – Movimento Artístico Huni Kuin. Houve canto de abertura pelo xamã e líder autóctone Ibã Salles Huni Kuin. A expo abre um novo diálogo entre as obras apresentadas e o compromisso de Krajcberg na sua denúncia dos ataques à natureza, que permeou sua vida e obra durante muitos anos, até seu passamento em 2017. O artista vivia em Nova Viçosa, no sul da Bahia.
Além de Kássia, que é goiana, há cinco artistas participantes da mostra, do Acre, como o próprio Ibã, fundador do movimento. São esculturas, pinturas e instalações. As poetas indígenas Trudruá Dorrico Matuxi, de Roraima, e Yuwey Henri Kali´na, de Kourou (Guiana Francesa) recitaram o poema “Enchantés” (Encantados), de autoria de ambas, em quatro línguas: francês, português, macuxi e kali´na.
A expo fica até 20 de dezembro com muitas atividades previstas no seu decorrer, e toda a programação com mais informações:
www.espacekrajcberg.fr; www.espacekrajcberg.com e também www.ricardofernandes.biz

Editor: Nelson Rocha