* Duda Tawil, texto e fotos –
Desde 2015, a França possui um tesouro, que precisa ser descoberto, a englobar uma tríade formada por hotelaria, gastronomia e luxo, e que atende pelo nome de École Ferrières. Trocando em miúdos, estamos falando de uma escola da excelência à francesa, de educação de alto nível, em relação a vários métiers que gravitam em torno desse conceito de savoir-vivre, que fazem a fama da França mundo afora.
Está localizada no município de Ferrières-en-Brie, um vilarejo de cerca de 1500 habitantes, a 40 minutos de Paris, ou 26km da capital, no Departamento de Sena e Marne. Ela foi sonhada e é realizada pelo libanês Khalil Khater, a partir do conceito de “educar em 360°” num campus de prédios heterogêneos, ou, como eles preferem, um complexo de ecossistemas, num polo multisserviços.
O complexo vai, portanto, da história de meados do século XIX (o castelo) cheia de charme, bom gosto, glamour e beleza extrema, aos prédios modernos e altamente funcionais dos dias que correm, como, por exemplo, o H-Tech Valley. Começando do início está o Castelo de Ferrières, que pertencia ao Barão de Rothschild, construído entre 1855 e 1859, projetado pelo arquiteto britânico Joseph Paxton. É considerado o mais importante castelo francês do século XIX, obra-prima da arquitetura do neorrenascimento.
Ali somos acolhidos pelo sorriso de uma sergipana, que estudou em Salvador na sua juventude, Camila Argolo, perfeitamente trilíngue, que vive há 15 anos na França e, desses, há um ano é a sua diretora de Comunicação. Ela explica que o polo é gerido pelo grupo Accelis, que em 2013 fez um contrato com o município. Em ambientes internos suntuosos, e diversificados, e um parque de sonhos à sua volta, com um lago, a propriedade recebeu a visita do então Imperador Napoleão III e a Imperatriz Eugênia.
O restaurante Le Chai, com sua cozinha aberta para a sala, é também aberto ao público, o ano todo!
Inaugurada há nove anos, os pilares da Ferrières são a educação, a formação em hotelaria e “restauração” no sentido de gastronomia de luxo, e mais recentemente, o management. “Os prédios são multisserviços e integram uma só vida. A prática é ensinada logo no início. Todos os professores não são acadêmicos, mas profissionais que conhecem a realidade. É um local de formação, prática e serviços”, diz Camila.
Atualmente, há quase 150 alunos inscritos, e a meta dos próximos anos é atingir mil! A construção de novas residências estudantis é um testemunho desse objetivo traçado pelo grupo. Por enquanto, nenhum.a brasileiro(a), e estamos aqui para fazer chegar até eles!
Uma entrada: foie gras com chutney de figos e damascos, saladinha e brioche
No castelo – www.chateaudeferrieres.com – funciona o restaurante gastronômico Le Baron, reservado para eventos com almoços e jantares privados, celebrações sociais como casamentos e bodas, e ele já foi cenário de badaladas festas nos anos 70, e dos 80 em diante para filmagens de clipes como os da americana Beyoncé e da cantora canadense Mylène Farmer.
Também para cenas de séries e novelas, e, bem recentemente, o filme de aventuras Le Comte de Monte Cristo (2024), dos diretores Alexandre de La Patellière e Matthieu Delaporte. Os alunos festejam ali também datas significativas, e podem praticar esportes e lazer na área externa.
Coquilles Saint-Jacques (vieiras) com purê de batata-doce e avelãs tostadas
Ao lado, está o ótimo restaurante “bistronomique” Le Chai, aberto ao público, e que não fecha nenhum dia do ano, nem durante as famosas três semanas de agosto quando a instituição de ensino sai de férias. É frequentado por parisienses, moradores dos municípios vizinhos e turistas do mundo todo. É igualmente utilizado para os estágios dos estudantes. Num vinhedo simbólico na propriedade, os alunos se iniciam na prática da viticultura. A saber, os vinhos ali servidos são da propriedade de produção dos mesmos, no Luberon, que fica na Dordonha, departamento francês da Nova Aquitânia.

Já na parte exterior do castelo, estão instalados os “Ateliers Ferrières”: são as salas para aulas teóricas, assim como para as práticas culinárias, de hotelaria, turismo, culturas em geral, Recursos Humanos, elegância, arte da mesa, de sommelier.e, e tantas e tantas mais, além do aprendizado do francês, inglês e também…chinês!!!! Eles estão circundados por residências estudantis e pequenos apartamentos ou studios de alto gabarito, para os que preferem morar nos espaços da escola.
O diretor-geral (CEO) é Pierre Frangieh, e os cursos propostos são o Bachelor, ou seja, uma licenciatura de três anos; caso o aluno deseje prosseguir na formação, mais dois anos para o MSc – Master of Science. E assim se atinge o PGE, iniciais para Parcours Grande École = cinco anos no total! Existem também outras modalidades como Bachelor Essentia, International Bachelor of Business Administration e Formation Pâtisserie “Madeleine by Ferrières”. (Ver os datalhes no link mais abaixo desta matéria)
Seguimos mais adiante e o Complexo de Ecossistema Ferrières é concluído pelo Origano, um restaurante 100% italiano; o Hotel Paxton, para práticas hoteleiras e muito frequentado por executivos, turistas que vão à Disneyland Paris (a duas estações dali pelo metrô RER A) e famílias em visita aos alunos; e a confeitaria/padaria “Madeleine by Ferrières”, para a prática e produção de grandes quantidades. Em cima desta, o Biomonde, um supermercado orgânico “biô”; um SPA com piscina e sala de conferência que também faz parte do treinamento; o “bowling” (boliche) para o lazer, com seu bar Cristal. Vale destacar que todas essas estruturas são abertas a todes, ou seja, a toda a comunidade, próxima ou não. Em breve, a construção de um centro esportivo polivalente, para várias aptidões.
O savoir-faire da Ferrières já começou a se exportar, visto que, desde 2019, essa escola de vocação internacional foi instalada em Barcelona, e aí, por supuesto, evidentemente, a língua de Cervantes também entra em ação.
Mais informações, calendário letivo anual, cursos, programas, possibilidades de moradia e valores desta fantástica escola através do site www.ferrieres-paris.com e admissions@ferrieres-paris.com
Editor: Nelson Rocha, de Portugal