Por Hieros Vasconcelos –
Enquanto os órgãos responsáveis buscam respostas sobre a tragédia que matou uma pessoa e feriu outras cinco após desabamento do teto da Igreja de São Francisco de Assis, no Pelourinho, na última quarta-feira (5), a população baiana começa a se questionar sobre a situação de centenas de templos históricos espalhados pela capital baiana.
Afinal, se proceder a máxima de que existe uma igreja para cada dia do ano em Salvador, como dizia a canção ‘365 igrejas’, de Dorival Caymmi, soa como um sinal de alerta e de interrogação o acidente em uma das edificações mais famosas do Pelourinho: conhecida como “igreja de ouro”, o templo de São Francisco de Assis é tombado pelo Iphan e classificado como uma das Sete Maravilhas de Origem Portuguesa no Mundo.

Polícia Federal, Polícia Civil, Codesal e Iphan se unem para esclarecer o ocorrido, cujo inquérito foi instaurado no Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP).
“Se a Igreja do Ouro estava assim, imagine como as outras estão, principalmente as que não são tombadas”, concluiu o universitário Lucas Lobo em uma das centenas de postagens que pipocaram na internet logo após o ocorrido.
Numa rápida passagem pelo Centro Antigo, a reportagem não conseguiu encontrar sinais de deterioração nas principais igrejas da região até mesmo porque boa parte delas estavam fechadas.
No entanto, o guia turístico Joceval Jorge Neto, morador da Liberdade, sinalizou: “A Igreja da Lapinha e dos Quinze Mistérios, no Barbalho, estão com rachaduras no teto. Também estão em situação ruim a Igreja dos Mares, o Convento dos Perdões e a Igreja de Nossa Senhora do Ó. A degradação do teto da Igreja de São Francisco não é algo tão distante da realidade”.
A professora primária Maria Antônia dos Santos, moradora do Dois de Julho, lembrou também das condições precárias da Capela de São Miguel, no Centro Histórico, e da Igreja Sagrado Coração de Maria, em Nazaré.
É fato que outras igrejas seculares de Salvador estão necessitando de reparos, principalmente no teto. No entanto, estas edificações esbarram na falta de verba, demora na liberação do Ipac e Iphan para iniciar as obras. Uma delas é a de Santo Antônio, que necessita de reparos.
“Agora a gente tá com medo de entrar numa igreja antiga. Quem é que vai responder esses questionamentos? Vai ser preciso fazer uma vistoria geral em todos os templos da cidade, pois a gente bem sabe que tragédias como essas vem para sinalizar que outras podem ocorrer “, declarou.
Iphan
O presidente do Iphan, Leandro Grass, disse que é impossível no momento encontrar culpados para a tragédia na Igreja de São Francisco e acrescentou que infelizmente situações como essas podem acontecer, numa sinalização de que apenas o tombamento não é o suficiente para manter uma estrutura conservada e de pé.
“Não só esse caso, mas tantos outros que a gente já vivenciou e outros que, infelizmente, ainda vão acontecer, preciso dizer isso, e não são responsabilidades de um órgão ou de outro. O Brasil tem um patrimônio vasto. Esse patrimônio é de herança colonial em boa parte, outro é moderno, outro é contemporâneo. E é preciso que haja um grande pacto em torno disso no nosso país, pois se tratam de obras caras e as demandas são muitas”.
Levantamento – De acordo com um levantamento realizado pela Defesa Civil e publicado pelo Jornal Folha de São Paulo, a capital baiana tem 444 imóveis históricos -– entre casarões, ruínas, fortes, igrejas e outros – em situação de risco. Destes 327 estão com risco alto de desabamento ou incêndio. Outros 117 estão com risco muito alto.
Conforme a Codesal, os imóveis mapeados ficam nos centros histórico e antigo. As localidades que mais registraram ocorrências são Pelourinho, Comércio, Santo Antônio, Barbalho, Soledade, Barroquinha, Baixa dos Sapateiros e Saúde.
Fonte: Tribuna da Bahia