Por Iago Bacelar –
O Carnaval de Salvador deve atrair milhares de pessoas para os circuitos da festa entre os dias 27 de fevereiro e 4 de março. No entanto, a cidade também oferece diversas alternativas para quem deseja fugir do agito dos trios elétricos. Desde experiências culturais até roteiros de viagem para cidades próximas à capital, há opções para todos os perfis de visitantes.
Confira a seguir o que fazer em Salvador e na Bahia durante o Carnaval para aproveitar o feriado de forma mais tranquila.
Espaços tradicionais agitam o Carnaval de Salvador
Além dos tradicionais circuitos de trios elétricos, alguns espaços já se consolidaram como opções alternativas para os foliões no Carnaval de Salvador. A Prefeitura divulgou oficialmente a programação de três desses locais que prometem movimentar a folia em 2025: o Palco do Rock, o Beco das Cores e o Palco Beats.
O Palco do Rock, em Piatã, será um ponto de encontro para os amantes do rock alternativo. Entre os dias 1º e 4 de março, o espaço receberá 34 atrações, proporcionando uma experiência diferente para quem quer curtir o Carnaval ao som de guitarras distorcidas e baterias aceleradas. Foto: reprodução.
Já o Beco das Cores (Rua Dias D’Ávila), na Barra, será um dos principais pontos de encontro da diversidade e da cena LGBTQIA+. A programação se estenderá de 27 de fevereiro a 4 de março, com shows de nomes como Batekoo, Chris Holanda, Telefunksoul, DJ Fabao, DJ Felipe Poeta e Mu540, garantindo um ambiente vibrante e inclusivo.
Para os fãs de música eletrônica, o Palco Beats, montado no Farol da Barra, será uma opção imperdível. O espaço funcionará entre os dias 28 de fevereiro e 4 de março, reunindo DJs e produtores musicais para animar o público com sets enérgicos e batidas eletrônicas envolventes.
Atrações culturais em Salvador abertas durante o Carnaval
Memorial das Baianas de Acarajé
Localizado na Praça da Sé, no Pelourinho, o espaço celebra a tradição das baianas do acarajé com exposições de artefatos históricos, vestimentas e objetos usados na confecção do quitute.
Endereço: Cruz Caída, Praça da Sé – Pelourinho, Salvador – BA.
Funcionamento: Segunda a sábado, das 9h às 17h.
Entrada: R$ 5.
Santuário do Senhor do Bonfim
Um dos cartões-postais de Salvador, a igreja, conhecida pelas fitinhas coloridas amarradas em seu gradil, permanece aberta ao público durante todo o Carnaval.
Endereço: Largo do Bonfim, s/n – Bonfim, Salvador – BA.
Funcionamento: Todos os dias.
Entrada: Gratuita.
Ilha dos Frades
Para quem deseja um refúgio paradisíaco, a Ilha dos Frades é uma excelente escolha. Situada na Baía de Todos os Santos, pode ser acessada por escuna ou lancha. Destaque para as praias de Ponta Nossa Senhora de Guadalupe e Loreto. Foto: Nelson Rocha – Arquivo PORTAL TURISMO TOTAL.
Embarque nos Terminais Marítimos de Salvador.
Passeios diários.
Passeios de escuna: A partir de R$ 110 (+ taxas de embarque e preservação).
Galeria Mercado e Casa das Histórias de Salvador
No subsolo do Mercado Modelo, a Galeria Mercado apresenta uma linha do tempo do edifício histórico, enquanto a Casa das Histórias de Salvador traz exposições interativas sobre a cidade.
Endereços: Mercado Modelo (Galeria Mercado) e Rua da Bélgica, 2 – Comércio, Salvador – BA (Casa das Histórias).
Funcionamento: 27 e 28 de fevereiro; reabertura em 5 de março, às 12h.
Entrada: R$ 20 (valor único para ambos os espaços).
Casa do Rio Vermelho
Antiga residência dos escritores Jorge Amado e Zélia Gattai, a Casa do Rio Vermelho mantém exposições sobre a vida e obra do casal. Foto: Nelson Rocha – Arquivo PORTAL TURISMO TOTAL.
Endereço: Rua Alagoinhas, 33 – Rio Vermelho, Salvador – BA.
Funcionamento: 27 e 28 de fevereiro; reabre em 5 de março, às 12h.
Entrada: R$ 20 (gratuito às quartas-feiras).
Cidade da Música da Bahia
Situada no Casarão dos Azulejos Azuis, a Cidade da Música reúne exposições que contam a história dos ritmos baianos, desde a colonização até os dias atuais.
Endereço: Praça Visconde de Cayru, 19 – Comércio, Salvador – BA.
Funcionamento: 27 e 28 de fevereiro; reabre em 5 de março, às 12h.
Entrada: R$ 20 (gratuito às quartas-feiras).
Destinos próximos para escapar do Carnaval
Se a ideia for sair da cidade e aproveitar um destino mais tranquilo, a Bahia conta com várias opções. Confira alguns destinos onde a folia não é prioridade.
Vale do Capão
O Vale do Capão, na Chapada Diamantina, é um refúgio perfeito para amantes da natureza. Entre as atrações, destaca-se a Cachoeira da Fumaça, uma das mais altas do Brasil. Divulgação – Arquivo PORTAL TURIMO TOTAL.
📍 Localização: Distrito de Caetê-Açu, Palmeiras – BA.
🏨 Hospedagem: A partir de R$ 230 por diária.
Boipeba
A Ilha de Boipeba, no Arquipélago de Tinharé, oferece praias preservadas e um ambiente tranquilo, ideal para quem busca sossego e belezas naturais. Foto: Divulgação – Arquivo PORTAL TURISMO TOTAL.
📍 Localização: Baixo Sul da Bahia.
🏨 Hospedagem: Opções acessíveis disponíveis em plataformas de reserva.
Praia do Espelho
Considerada uma das praias mais bonitas do Brasil, a Praia do Espelho, no Litoral Sul da Bahia, é uma excelente alternativa para quem deseja paz e contato com a natureza.
📍 Localização: Entre Trancoso e Caraíva – Porto Seguro, BA.
🏨 Hospedagem: Pousadas e hotéis boutique disponíveis.
Mucugê
No coração da Chapada Diamantina, Mucugê preserva um charme histórico e é porta de entrada para trilhas e cachoeiras. Foto: João Ramos – Arquivo PORTAL TURISMO TOTAL.
📍 Localização: Chapada Diamantina, BA.
🏨 Hospedagem: Diárias acessíveis em pousadas e hostels.
Maraú
A Península de Maraú combina praias paradisíacas com piscinas naturais em Taipu de Fora, além de um cenário rústico e tranquilo. Foto: Barra Grande, em Maraú – Crédito Rosilda Cruz – Arquivo PORTAL TURISMO TOTAL.
📍 Localização: Sul da Bahia.
🏨 Hospedagem: Diversas opções para diferentes orçamentos.
Turismo Comunitário Rural: uma alternativa para fugir da folia
Quem deseja um Carnaval longe da agitação dos trios elétricos e blocos de rua pode encontrar no turismo comunitário rural uma excelente alternativa. Em diversas regiões da Bahia, comunidades tradicionais oferecem experiências autênticas, que unem cultura, natureza e gastronomia em roteiros sustentáveis, valorizando o modo de vida local e promovendo o desenvolvimento das famílias agricultoras.
Matarandiba: natureza e gastronomia na Ilha de Itaparica
Localizada em Vera Cruz, na Ilha de Itaparica, a comunidade de Matarandiba é cercada por Mata Atlântica preservada, quedas d’água e manguezais. Os visitantes podem desfrutar de passeios de barco e de uma culinária baseada nos frutos do mar e na agricultura local. Um diferencial do destino é a moeda social Concha, que fortalece a economia comunitária. Com o apoio da CAR, a comunidade recebeu equipamentos para hotelaria, mobiliário, utensílios, kits de segurança, caiaques e equipamentos de trilha. “Aqui, o visitante não é só turista, mas parte da nossa comunidade. Ele aprende nossas histórias, conhece nosso modo de vida e contribui para a valorização da cultura local”, afirma Jumara Pereira, condutora do projeto ViverTur.
Quilombo Bananeira: imersão na cultura quilombola
No Sertão da Bahia, em Jacobina, o Quilombo Bananeira oferece uma experiência única de turismo étnico-afro. Os visitantes podem explorar trilhas ecológicas, cachoeiras, uma casa de farinha tradicional e um espaço gastronômico com pratos típicos preparados pelas famílias quilombolas. O Governo do Estado investiu na infraestrutura do turismo local, com melhorias nas trilhas, construção de um parquinho e reformas na cozinha comunitária. “Quem vem aqui tem a chance de vivenciar de perto a cultura quilombola, aprender sobre nossa resistência e se encantar com a riqueza do turismo étnico-afro da Bahia”, destaca Jean César, vice-presidente da Associação Afro-brasileira Quilombo Erê,.
Reserva Pataxó da Jaqueira: etnoturismo indígena em Porto Seguro
Na Costa do Descobrimento, em Porto Seguro, a Reserva Pataxó da Jaqueira proporciona uma imersão no etnoturismo indígena. Foto: Ascom-CAR.
O roteiro inclui visitas à Casa de Memória, ao Viveiro de Plantas Nativas e à Escola Indígena Tradicional, além de atividades como pintura facial, trilhas na mata e degustação de peixe assado na folha de patioba, prato típico Pataxó. A comunidade recebeu apoio da CAR para a construção de kijêmes, um centro de artesanato e um portal receptivo. “Aqui, mostramos a riqueza da nossa cultura e a importância da preservação ambiental. Cada espaço da reserva carrega histórias e saberes ancestrais, que transmitimos com orgulho”, afirma Juari Pataxó, liderança comunitária.
Expansão do turismo comunitário na Bahia
Além de Matarandiba, Quilombo Bananeira e Reserva Pataxó da Jaqueira, o turismo comunitário sustentável tem sido incentivado em outras regiões do estado, como Cairu, Canavieiras, Morro do Chapéu, Santa Cruz Cabrália e Itacaré. Essas comunidades oferecem aos visitantes uma oportunidade única de conhecer a Bahia de forma autêntica, longe da folia do Carnaval, mas em contato direto com sua riqueza cultural e natural.
Fonte: Site Muita Informação
Edição: Nelson Rocha