Poluição afasta turistas e baianos da Praia da Paciência em Salvador

Por Vitor Silva #

A Praia da Paciência, um dos pontos mais procurados por baianos e turistas, localizada no bairro boêmio do Rio Vermelho, em Salvador, tem enfrentado um grande problema que tem afastado visitantes: a poluição causada pelo esgoto a céu aberto. Conhecida pelas águas cristalinas e pela tranquilidade, a praia, que também é um ponto de encontro para a prática de esportes, está sendo prejudicada por um odor forte e insuportável, além da visível presença de esgoto, o que tem comprometido sua imagem e atratividade.

 

 

A equipe da Tribuna da Bahia visitou a região para relatar de perto o problema. Ao chegar, é possível sentir o forte mau cheiro logo nas escadas que dão acesso à praia. O esgoto, que se encontra exposto e é facilmente visível, polui a água e prejudica o ambiente, que sempre foi desejado justamente pela sua limpeza e tranquilidade.

Fátima Santos, proprietária de uma barraca na região, lamentou o impacto da situação nos seus negócios. “Já perdi diversos clientes por causa do cheiro. Teve gente que até se acomodou na barraca, mas o fedor foi tão forte que acabou indo embora. Cansei de ver clientes indo embora por causa do desconforto. E o pior é que não tenho nem argumentos para defender essa situação absurda”, disse Fátima, preocupada com o futuro do local.

A dona da barraca pediu por uma solução urgente. “Quero saber quando vão resolver isso. Além de perder clientes, eles estão tirando o direito das pessoas de curtir um dos melhores lugares de Salvador”, afirmou ela.

Regina Assunção, outra dona de barraca na Praia da Paciência, também se mostrou frustrada com a situação. “Imagina só, no verão, você não poder vender como sempre vendeu por causa de um problema que não pode ser resolvido por nós, empresários?”, questionou. “A gente tenta agradar os clientes de outras formas, mas tem dias que o cheiro é insuportável. O problema está aí para todos verem”, completou ela.

João Lucas, um dentista paulista que está em Salvador a turismo, expressou sua decepção ao chegar na praia. “Fiquei muito empolgado, porque a praia foi recomendada por amigos. Mas nunca imaginei que iria encontrar esgoto. É muito triste, porque é um problema simples que acaba comprometendo todo o lugar”, disse João. No entanto, ele garantiu que aproveitaria o dia na praia, ignorando o problema. “Eu vou ficar aqui mesmo, aproveitar a beleza do local e tentar esquecer esse problema”, afirmou.

Mariana Almeida, moradora de Salvador, também compartilhou sua percepção sobre a situação. “Isso já acontece há um tempo. Eu finjo que não vejo, mas é vergonhoso. Salvador é uma cidade tão linda, e uma praia como essa, com esse problema, é algo que precisa de mais atenção”, disse ela. Mariana também relatou já ter presenciado turistas indo embora devido ao cheiro de esgoto. “Já vi várias pessoas desistindo de passar o dia aqui, principalmente turistas. Não posso culpá-los, o problema está bem visível”, contou.

A Secretaria de Manutenção da Cidade (SEMAN) se manifestou sobre o caso e explicou que realiza ações na rede de drenagem, que é destinada exclusivamente ao escoamento das águas da chuva. A SEMAN ainda destacou que questões relacionadas ao esgoto são de responsabilidade da Embasa, a companhia estadual de saneamento.

De acordo com o Decreto Estadual N° 7765 de 08 de março de 2000, a legislação exige que imóveis com acesso à rede de esgoto conectem-se adequadamente à rede pública. Caso não haja rede de esgoto no local, o proprietário deve adotar soluções individuais, como fossas, para tratar os resíduos. A SEMAN enfatizou que a conexão do esgoto doméstico às galerias pluviais configura uma infração grave, passível de penalidades.

A Embasa, por sua vez, informou que o sistema de esgotamento sanitário da região do Rio Vermelho está funcionando normalmente e que o esgoto encontrado na Praia da Paciência não tem relação com sua rede. A companhia acrescentou que, em parceria com a Prefeitura e a SEMAN, está realizando vistorias nas galerias de drenagem pluvial para identificar eventuais lançamentos irregulares de esgoto, a fim de minimizar os danos ao meio ambiente e ao sistema de drenagem da região. 

Fonte: Tribuna da Bahia

Foto: Romildo de Jesus – TB

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